sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Memórias de um doente dos nervos

O filme sobre o jurista louco que talvez tenha feito a maior biografia da loucura, vista de dentro. Há alguns pontos que podem ser questionados no filme, por exemplo, o fato de que em momento algum se apresenta o ponto central do delírio de Schreber: tornar-se a mulher de Deus. É como se fosse um tipo de censura velada. De toda forma vale a pena assistir.
Há uma outra versão em filme do livro de Schreber, o filme Shock, head, soul, mas este infelizmente só podemos ver alguns trechos na internet.
abraços a todos e boa sessão de cinema.


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Tempo e espaço na Die Verneinung de Freud


Esta é uma proposta de trabalho para o 9º Congresso Norte-Nordeste de Psicologia que ocorrerá em Salvador – BA, e apresenta o início de teorização de minha tese de doutorado sobre a realidade em psicanálise, buscando abordar a dualidade dentro/fora através da topologia lacaniana. Trataremos do início da teorização, uma interseção entre psicanálise e filosofia. Muito se sabe das aproximações freudianas da filosofia de Kant. Na maioria dos textos encontramos críticas aos erros de leitura e falta de domínio conceitual, e há também a proposta de que a leitura freudiana de Kant seria enviesada pelas ideias de Schopenhauer. Conhecendo tais avisos, mas deixando-os no horizonte de nosso estudo, pretendemos abordar a origem do aparelho psíquico proposto por Freud e aproximá-lo da estética transcendental de Kant baseando-nos para isto em dois pequenos textos: o trecho kantiano relativo à Estética Transcendental incluído na Crítica da Razão Pura e o texto freudiano A negação (Die Verneinung), sempre tendo como foco principal a psicanálise. A leitura cuidadosa desses dois textos, em diferentes traduções, incluindo o original alemão, nos levam a encontrar relações significantes entre as teorizações kantianas de espaço e tempo (formas a priori da sensibilidade) e os mundos interno (Innenwelt) e externo (Aussenwelt) de Freud, que apresentam a dualidade da realidade em psicanálise – psíquica e material. Em Kant o espaço seria a forma do sentido exterior, a maneira pela qual podemos representar os objetos que existem fora de nós. O tempo seria o sentido íntimo, maneira pela qual poderíamos perceber a nós mesmos intuitivamente, ou seja, nossos estados internos. No texto freudiano podemos ler que em um momento infinitesimal menor, um marco zero da subjetividade, haveria um divisor de águas no que se refere às estruturas. Esse é o momento da afirmação (Bejahung) e da expulsão (Austoβung). Em uma perspectiva lacaniana podemos dizer que na neurose há a afirmação da lei (Nome-do-Pai) e a expulsão do objeto, enquanto na psicose haveria a afirmação do objeto e a foraclusão do Nome-do-Pai. Em ambas as estruturas o que se criaria é uma separação entre um mundo interno, subjetivo; e um externo, objetivo. A teorização freudiana das diferenças radicais entre neurose e psicose em relação ao dentro e fora se deu por volta de 1924 no texto A perda da realidade na neurose e na psicose. A hipótese atual de solução para a dualidade se encontra em um rascunho freudiano no qual ele afirma que o espaço pode ser a projeção do aparelho psíquico, havendo uma junção do dentro e do fora.

Retirando as pedras do meio do caminho

Olá todos,

Quem é de Divinópolis certamente já ouviu falar do Carrapateiro, a mais famosa cracolândia da cidade. Costumamos ver reportagens sobre intervenções feitas no local em jornais de toda mídia. Entretanto, pensamos que outro olhar pode ser possível. Por isso, em conjunto com outros professores da UEMG Divinópolis, de diferentes cursos, projetamos uma proposta de intervenção no local. A primeira fase está em processo de aprovação nos órgãos responsáveis da UEMG, e caso seja aprovada constará de um reconhecimento do local, que é uma área de preservação permanente (APP), além do conhecimento dos moradores do local e de seu entorno. A partir disso pensaremos em propostas para a segunda fase do projeto.


Quer que eu desenhe?


Olá todos,

Está em fase de preparação um curso de introdução à topologia lacaniana que provavelmente ocorrerá ao longo do ano na UFMG, quinzenalmente. Tal curso será ministrado por mim em parceria com minha orientadora Andrea Guerra.  O curso terá três módulos, um introdutório, com um pouco da história da geometria à topologia, introdução aos principais conceitos e apreciações sobre a relação de Lacan com a matemática. O segundo módulo tratará inicialmente dos três esquemas apresentados no texto De uma questão preliminar (os Esquema L, R e I) e depois passará às figuras da topologia de superfície: toro (torus), banda de Möbius, garrafa de Klein e cross-cap. Por fim, no terceiro módulo trataremos dos nós, cadeias e tranças, passando de uma introdução à teoria dos nós, pelo nó borromeano de 3 e 4 elos, e também pelas discussões acerca das estruturas clínicas (neurose e psicose) a partir da leitura borromeana. Tudo isso será feito com muita mão na massa, não apenas teoria e desenhos, mas com apresentação das figuras (mostração, como dizia Lacan) e trabalhos com os nós.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Retorno aos conceitos fundamentais

Este grupo de pesquisa utilizará como método a leitura comentada dos textos freudianos, buscando várias traduções e também o original freudiano, em alemão. A intenção não é uma retradução da obra freudiana, mas o estudo sistemático dos conceitos fundamentais da psicanálise.
A proposta é de um grupo de pesquisa que não se encerre em um ano, mas que se renove constantemente, a cada ano, escolhendo novos conceitos e novos alunos. A cada ano será eleito um conceito para investigação exaustiva dentro da obra de Freud e, de início, o primeiro dos conceitos será o de Inconsciente. Os trabalhos resultantes deverão ser endereçados ao grande público, através de publicações em periódicos ou apresentação em congressos de áreas afins. Toda a produção seria arquivada para que outros alunos, de todo o Brasil possam acessar os caminhos da pesquisa. Toda a produção será postada aqui neste blog para o acompanhamento do percurso da produção.

O grupo de pesquisa não ultrapassará o número de quatro alunos mais o orientador, sendo que os alunos seriam novamente selecionados a cada ano, sempre tendo como pré-requisito, estar cursando ou ter cursado as disciplinas de Abordagem Psicanalítica I e II do curso de Psicologia da UEMG, Campus de Divinópolis, ou seja, devem ser alunos que estejam matriculados entre o sexto e o décimo período (por questões de periodização, e de adequação ao projeto, os alunos devem estar cursando períodos impares – sétimo ou nono – para que a pesquisa se encerre no oitavo ou no décimo períodos). Os encontros de leitura podem ocorrer de forma presencial, em horário e local previamente agendado dependendo da disponibilidade dos membros do grupo, e também virtual, através de ferramentas disponíveis na internet. Também é possível a participação de outros alunos interessados, enquanto ouvintes, às reuniões do grupo.

A realidade com régua e compasso

Nossa visão do mundo através dos tempos sempre esteve enviesada por dicotomias: ideias e coisas, sensação e razão, dentro e fora, sujeito e objeto, res extensa e res cogitans, o psíquico e o material e tantas outras.
Em alguns momentos tais dicotomias foram suspensas, ou alguém tentou de alguma forma encontrar um meio termo entre elas, ou talvez uma relação, um intermediário enfim. Com Platão a intermediário entre o mundo das Coisas e o mundo das Ideias pode ser o número (pelo menos segundo Rey Pastor e Babini em sua História da matemática); Kant diz que o fenômeno não se encontra no objeto em si mesmo, nem no sujeito, mas na relação entre o objeto e o sujeito.
Na psicanálise não é muito diferente. Freud sempre colocou essa dicotomia em seus textos: realidade psíquica e realidade material (em alguns momentos objetiva, em outros momentos realidade do mundo externo). A dicotomia dentro fora aparece forte na distinção entre neurose e psicose em textos do início da segunda tópica como Neurose e psicose e A perda da realidade na neurose e psicose, nos quais Freud fala que a neurose é resultado de conflito entre o Eu e o Isso em favor do mundo externo; já a psicose seria um conflito análogo entre o Eu e o mundo externo a serviço do Isso.
Entretanto bem ao fim de sua vida, em um pequeno rascunho de difícil leitura, Freud diz que “o espaço pode ser a projeção da extensão do aparelho psíquico. Nenhuma outra derivação é provável. Em vez dos determinantes a priori, de Kant, de nosso aparelho psíquico. A psique é estendida; nada sabe a respeito”.
Partindo então da questão freudiana de que mais importante que a perda da realidade é o estudo de sua construção, propusemos uma pesquisa sobre a construção da realidade tendo como grande campo epistemológico a Psicanálise. O método será a topologia lacaniana, pois acreditamos que as figuras topológicas que Lacan estuda podem ser de grande utilidade para o entendimento da realidade.
Essa pesquisa é realizada dentro da linha de pesquisa de Estudo psicanalíticos do Doutorado em Psicologia da UFMG, sob a orientação da conhecida e respeitada Andréa Máris Campos Guerra. Também tenho outros parceiros nessa busca, entre os quais posso citar o grupo de estudos de topologia do Aleph Escola de Psicanálise, em especial Maria Augusta Friche, e ao professor Pablo Amster da Universidade de Buenos aires. A estas pessoas só tenho que agradecer pela ajuda sincera.
Por enquanto é isso. Ao longo da escrita da tese irei apresentando os principais pontos discutidos.

Abraços a todos,

Artigo: Foucault com Freud




Olá todos,
Deixo hoje um artigo em parceria com meu amigo Carlos Eduardo Rodrigues publicado nos Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, em um número comemorativo dos 50 anos da primeira edição da “História da loucura” de Foucault. Neste artigo são discutidos temas relativos à internação de usuários de crack dentro de nossa realidade atual: a Luta Antimanicomial, a Reforma Psiquiátrica Brasileira dentre outros pontos.
segue o link para download.
http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/1507/1735
Abraços a todos,

domingo, 20 de janeiro de 2013

Novas regras de procedimentos nos CAPS

Olá todos,
entram em vigor este ano as novas regras de procedimentos dos CAPS. No lugar das antigas APACs agora temos as RAAS (Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde). Há uma nova portaria que a regulamenta e também uma tabela com os procedimentos e todos podem ser encontrados na internet.



sábado, 5 de janeiro de 2013

Da “nau dos loucos” ao “camburão dos noiados”


É. O mundo dá voltas mas não muda nada. Quantas vezes ouvimos a celebre frase “Nada se cria, tudo se copia”? Depois do famoso “Trem de doido” de Minas Gerais que deixava os loucos dentro do CHPB em Barbacena, agora temos a nova edição.
Olá senhor Alckmin, você já leu Foucault? Parece que não. Freud talvez você já tenha ouvido falar, não é? Pois é. Talvez valesse a pena fazer uma rápida leitura de alguns textos como a “História da Loucura” e o “Mal-estar na civilização”, respectivamente dos dois autores. Tem um artigo meu e de meu amigo Carlos Eduardo aí ao lado no blog também. Por sinal se chama “Foucault com Freud”.

Bem vindos todos novamente à Idade Média!

A Contrarreforma psiquiátrica se estabelece paulatinamente.




terça-feira, 23 de outubro de 2012

A quantas anda nossa Reforma Psiquiátrica?


Nessa reportagem do fantástico podemos ver o ENORME desrespeito à Lei Paulo Delgado (10216) que trata da reforma psiquiátrica brasileira. Temos o vídeo e o relato em texto logo abaixo.
Penso que tal relatório feito pelo psiquiatra em questão é um ABSURDO. Como fazer um diagnóstico e um pedido de internação, que se tornou COMPULSÓRIA devido ao mandato judicial, sem nunca ter visto o paciente?
Penso que, mais letal que a arma utilizada pelo agressor, seriam o carimbo e a caneta do médico e do juiz.
É necessário repensarmos a farra das internações psiquiátricas em nosso país.
Abraços a todos.