terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Quer que eu desenhe?


Olá todos,

Está em fase de preparação um curso de introdução à topologia lacaniana que provavelmente ocorrerá ao longo do ano na UFMG, quinzenalmente. Tal curso será ministrado por mim em parceria com minha orientadora Andrea Guerra.  O curso terá três módulos, um introdutório, com um pouco da história da geometria à topologia, introdução aos principais conceitos e apreciações sobre a relação de Lacan com a matemática. O segundo módulo tratará inicialmente dos três esquemas apresentados no texto De uma questão preliminar (os Esquema L, R e I) e depois passará às figuras da topologia de superfície: toro (torus), banda de Möbius, garrafa de Klein e cross-cap. Por fim, no terceiro módulo trataremos dos nós, cadeias e tranças, passando de uma introdução à teoria dos nós, pelo nó borromeano de 3 e 4 elos, e também pelas discussões acerca das estruturas clínicas (neurose e psicose) a partir da leitura borromeana. Tudo isso será feito com muita mão na massa, não apenas teoria e desenhos, mas com apresentação das figuras (mostração, como dizia Lacan) e trabalhos com os nós.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Retorno aos conceitos fundamentais

Este grupo de pesquisa utilizará como método a leitura comentada dos textos freudianos, buscando várias traduções e também o original freudiano, em alemão. A intenção não é uma retradução da obra freudiana, mas o estudo sistemático dos conceitos fundamentais da psicanálise.
A proposta é de um grupo de pesquisa que não se encerre em um ano, mas que se renove constantemente, a cada ano, escolhendo novos conceitos e novos alunos. A cada ano será eleito um conceito para investigação exaustiva dentro da obra de Freud e, de início, o primeiro dos conceitos será o de Inconsciente. Os trabalhos resultantes deverão ser endereçados ao grande público, através de publicações em periódicos ou apresentação em congressos de áreas afins. Toda a produção seria arquivada para que outros alunos, de todo o Brasil possam acessar os caminhos da pesquisa. Toda a produção será postada aqui neste blog para o acompanhamento do percurso da produção.

O grupo de pesquisa não ultrapassará o número de quatro alunos mais o orientador, sendo que os alunos seriam novamente selecionados a cada ano, sempre tendo como pré-requisito, estar cursando ou ter cursado as disciplinas de Abordagem Psicanalítica I e II do curso de Psicologia da UEMG, Campus de Divinópolis, ou seja, devem ser alunos que estejam matriculados entre o sexto e o décimo período (por questões de periodização, e de adequação ao projeto, os alunos devem estar cursando períodos impares – sétimo ou nono – para que a pesquisa se encerre no oitavo ou no décimo períodos). Os encontros de leitura podem ocorrer de forma presencial, em horário e local previamente agendado dependendo da disponibilidade dos membros do grupo, e também virtual, através de ferramentas disponíveis na internet. Também é possível a participação de outros alunos interessados, enquanto ouvintes, às reuniões do grupo.

A realidade com régua e compasso

Nossa visão do mundo através dos tempos sempre esteve enviesada por dicotomias: ideias e coisas, sensação e razão, dentro e fora, sujeito e objeto, res extensa e res cogitans, o psíquico e o material e tantas outras.
Em alguns momentos tais dicotomias foram suspensas, ou alguém tentou de alguma forma encontrar um meio termo entre elas, ou talvez uma relação, um intermediário enfim. Com Platão a intermediário entre o mundo das Coisas e o mundo das Ideias pode ser o número (pelo menos segundo Rey Pastor e Babini em sua História da matemática); Kant diz que o fenômeno não se encontra no objeto em si mesmo, nem no sujeito, mas na relação entre o objeto e o sujeito.
Na psicanálise não é muito diferente. Freud sempre colocou essa dicotomia em seus textos: realidade psíquica e realidade material (em alguns momentos objetiva, em outros momentos realidade do mundo externo). A dicotomia dentro fora aparece forte na distinção entre neurose e psicose em textos do início da segunda tópica como Neurose e psicose e A perda da realidade na neurose e psicose, nos quais Freud fala que a neurose é resultado de conflito entre o Eu e o Isso em favor do mundo externo; já a psicose seria um conflito análogo entre o Eu e o mundo externo a serviço do Isso.
Entretanto bem ao fim de sua vida, em um pequeno rascunho de difícil leitura, Freud diz que “o espaço pode ser a projeção da extensão do aparelho psíquico. Nenhuma outra derivação é provável. Em vez dos determinantes a priori, de Kant, de nosso aparelho psíquico. A psique é estendida; nada sabe a respeito”.
Partindo então da questão freudiana de que mais importante que a perda da realidade é o estudo de sua construção, propusemos uma pesquisa sobre a construção da realidade tendo como grande campo epistemológico a Psicanálise. O método será a topologia lacaniana, pois acreditamos que as figuras topológicas que Lacan estuda podem ser de grande utilidade para o entendimento da realidade.
Essa pesquisa é realizada dentro da linha de pesquisa de Estudo psicanalíticos do Doutorado em Psicologia da UFMG, sob a orientação da conhecida e respeitada Andréa Máris Campos Guerra. Também tenho outros parceiros nessa busca, entre os quais posso citar o grupo de estudos de topologia do Aleph Escola de Psicanálise, em especial Maria Augusta Friche, e ao professor Pablo Amster da Universidade de Buenos aires. A estas pessoas só tenho que agradecer pela ajuda sincera.
Por enquanto é isso. Ao longo da escrita da tese irei apresentando os principais pontos discutidos.

Abraços a todos,

Artigo: Foucault com Freud




Olá todos,
Deixo hoje um artigo em parceria com meu amigo Carlos Eduardo Rodrigues publicado nos Cadernos Brasileiros de Saúde Mental, em um número comemorativo dos 50 anos da primeira edição da “História da loucura” de Foucault. Neste artigo são discutidos temas relativos à internação de usuários de crack dentro de nossa realidade atual: a Luta Antimanicomial, a Reforma Psiquiátrica Brasileira dentre outros pontos.
segue o link para download.
http://incubadora.periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/1507/1735
Abraços a todos,

domingo, 20 de janeiro de 2013

Novas regras de procedimentos nos CAPS

Olá todos,
entram em vigor este ano as novas regras de procedimentos dos CAPS. No lugar das antigas APACs agora temos as RAAS (Registro das Ações Ambulatoriais de Saúde). Há uma nova portaria que a regulamenta e também uma tabela com os procedimentos e todos podem ser encontrados na internet.



sábado, 5 de janeiro de 2013

Da “nau dos loucos” ao “camburão dos noiados”


É. O mundo dá voltas mas não muda nada. Quantas vezes ouvimos a celebre frase “Nada se cria, tudo se copia”? Depois do famoso “Trem de doido” de Minas Gerais que deixava os loucos dentro do CHPB em Barbacena, agora temos a nova edição.
Olá senhor Alckmin, você já leu Foucault? Parece que não. Freud talvez você já tenha ouvido falar, não é? Pois é. Talvez valesse a pena fazer uma rápida leitura de alguns textos como a “História da Loucura” e o “Mal-estar na civilização”, respectivamente dos dois autores. Tem um artigo meu e de meu amigo Carlos Eduardo aí ao lado no blog também. Por sinal se chama “Foucault com Freud”.

Bem vindos todos novamente à Idade Média!

A Contrarreforma psiquiátrica se estabelece paulatinamente.




terça-feira, 23 de outubro de 2012

A quantas anda nossa Reforma Psiquiátrica?


Nessa reportagem do fantástico podemos ver o ENORME desrespeito à Lei Paulo Delgado (10216) que trata da reforma psiquiátrica brasileira. Temos o vídeo e o relato em texto logo abaixo.
Penso que tal relatório feito pelo psiquiatra em questão é um ABSURDO. Como fazer um diagnóstico e um pedido de internação, que se tornou COMPULSÓRIA devido ao mandato judicial, sem nunca ter visto o paciente?
Penso que, mais letal que a arma utilizada pelo agressor, seriam o carimbo e a caneta do médico e do juiz.
É necessário repensarmos a farra das internações psiquiátricas em nosso país.
Abraços a todos.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

O analista só se autoriza de si mesmo, não por si mesmo


Olá todos, ultimamente tenho visto muitas pessoas por aí que se intitulam psicanalistas. Isto é um fato interessante, pois como a psicanálise não é uma graduação de uma universidade, fica fácil alguém dizer que é analista, pois não precisa de um “diploma”. Entretanto há uma formação, grande, demorada, séria e que é baseada no tripé da formação: estudos, análise e supervisão dos atendimentos. Depois de um longo percurso, há o passe, nas escolas de orientação lacaniana.

Podemos citar escolas serias como a EBP, O Círculo psicanalítico, o Aleph e tantas outras, mas vemos muitas instituições que se denominam escolas de psicanálise chegando a dar “Carteirinha de psicanalista”.

Outro ponto são alunos de graduação, recém formados que se intitulam psicanalistas, ou mesmo pessoas que fazem alguma especialização, ou mesmo cursos de extensão em teoria psicanalítica e acham que isto é ser psicanalista.

Não é bem assim. Ao procurarem algum analista, sejam atenciosos. Perguntem onde ele fez sua formação.

Cuidado a picaretagem existe nos lugares mais improváveis.


Só para complementar, deixo o trecho do texto de Lacan no qual ele fala que “O analista se autoriza de si mesmo” e depois um comentário de Antonio Quinet. Vale a pena ler e refletir.



Abraços a todos,


“O analista só se autoriza de si mesmo*, isso é óbvio. Pouco lhe importa uma garantia que minha escola lhe dê, provavelmente com a irônica sigla AME. Não é com isso que ele opera.

[...]

Aquilo de que ele tem de cuidar é que, a autorizar-se de si mesmo, haja apenas o analista.

Pois minha tese, inaugural ao romper com a prática mediante a qual pretensas Sociedades fazem da análise uma agregação, nem por isso implica que qualquer um seja analista.

Pois, no que ela enuncia que é do analista que se trata, supõe que ele exista.

Autorizar-se não é auto-ri(tuali)zar-se.

Pois afirmei, por outro lado, que é do não-todo que depende o analista.

Não-todo ser falante pode autorizar-se a produzir um  analista. Prova disso é que a análise é necessária para tanto, mas não é suficiente.

Somente o analista, ou seja, não qualquer um, autoriza-se apenas de si mesmo.

Existem analistas, agora está feito: mas é por isso que eles funcionam. Esta função apenas torna provável a ex-sistência do analista. Probabilidade suficiente para garantir que haja analista: que as chances sejam grandes para cada um, deixa-as absolutamente insuficientes”



* Optamos por um português não usual na tradução deste aforismo (“...por si mesmo), pois é importante ressaltar que, ao utilizar a preposição de em lugar de par, Lacan reduz a possibilidade de uma leitura direta desta autorização como auto-autorização.



(Lacan, Nota Italiana, Outros Escritos, Zahar, 2003, pp. 311-312)



Em 1974, Lacan dirige a um grupo de três italianos a proposta de constituírem uma Escola nomeando como membros “aqueles que aí postularem sua entrada com base no princípio do passe”. Nesse texto, ele enquadra de outra maneira seu aforismo “o analista se autoriza por si mesmo”, afirmando que isso “não implica que qualquer um seja analista, pois autorizar-se não é ‘autorri(tuali)zar-se’ e que não é todo ser falante que pode se autorizar a bancar o analista”. Daí sua proposta de constituição de uma Escola pela via da verificação dessa autoautorização do analista pelo dispositivo do passe. Em suma, a proposição de 1974 de Lacan era de uma Escola de AE, em que o recrutamento fosse efetuado pelo passe, projeto que jamais foi realizado, mas deixa a indicação de que a autoautorização do analista em praticar a psicanálise não dispensa a verificação — que pode ser feita no dispositivo do passe.



(Antonio Quinet, A estranheza da psicanálise, Zahar, 2009, p. 63.)


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Como andam nossas políticas para AD?


Estive hoje relendo algumas portarias do MS em busca de alternativas viáveis para trabalhar com a difícil clientela de AD. Todos nós que trabalhamos com isto sabemos das imensas dificuldades que temos que enfrentar, em especial quando estamos em pequenos municípios, já que as políticas parecem ser desenvolvidas apenas para os médios e grandes centros.
Vejam bem. Em municípios com menos de 70.000 habitantes, nós podemos, por lei (Portaria GM 336 de 2002) ter apenas o CAPS I, que hoje pode atender a clientela de AD (Portaria 384 de 2005). Entretanto segundo aquela portaria que cria os CAPS, os CAPS I não podem atender a uma clientela menor de 18 anos e, convenhamos, ela é uma boa parcela dos usuários de crack em nosso país. Sem contar que este talvez seja o melhor momento para uma abordagem, posto que no início do uso, quando o uso ainda é recreativo ou moderado, podemos fazer intervenções mais eficazes e financeiramente mais baratas.
Assim sendo, porque as portarias que nos permitem fazer boas intervenções e que são grandes avanços nesta área como os Consultórios de Rua (Portaria 122 e 123 de 2012) somente são possíveis para municípios acima de 100.000 habitantes, ou a Unidade de Acolhimento (Portaria 121 de 2012) são apenas para municípios com mais de 200.000 habitantes?
Onde ficam as diretrizes básicas do SUS que propõe, por exemplo, a descentralização, a universalização (Legislação do SUS – Lei 8080)? Será que os pequenos municípios não têm o direito a promover todos os recursos que estão à disposição no SUS? Há outro princípio do SUS que é a hierarquização, mas penso que ele é muito mais aproveitável em uma portaria como a que cria os CAPS, do I ao III e suas modalidades, permitindo a toda população o acesso ao tratamento em saúde mental.
Precisamos refletir mais sobre este assunto.
Abraços a todos, 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Até quando vamos ter que aturar isto?

Onde há carniça há urubus!!!!!!
Não há dúvida. É com isto que vem a cada dia se proliferando as “fazendinhas”, tecnicamente chamadas de CTs (Comunidades Terapêuticas).
Em um desrespeito flagrante à leis como a 10216 (Lei Paulo Delgado) ou mesmo à RDC 101 da ANVISA que rege as normas de atendimento nestas entidades, vemos estas fazendinhas propondo a internação involuntária de pacientes, ainda que isto seja TOTALMENTE ILEGAL!!!
Até quando os órgãos públicos vão aguardar? Será que agora com a “Aliança pela vida” do governo de Minas, mais conhecido como “Bolsa Crack”, teremos esta realidade pela frente?
Isto é inadmissível.
Vejam abaixo exemplos de panfletos de algumas destas fazendinhas que ainda tem o descaramento de dizer que são 100% legalizadas.
Repassem!

Abraços,